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Por que os Programas de Compliance esta o sendo questionados quando a sua efetividade?
02/02/2020 por CrossOver, Eduardo Person Pardini



Tenho observado, participando de eventos e em reuniões com gestores que existem dúvidas sobre a efetividade dos programas de compliance implementados em relação ao desempenho e a qualidade de suas entregas.
Algumas corporações começam a questionar suas estruturas de compliance, algumas bem robustas e caras, em relação aos benefícios, que este, tem trazido para o fortalecimento da governança.

Infelizmente, ao meu ver, este movimento e percepção do mundo corporativo, já eram esperados, muito devido ao tratamento dado a tão importante tema. É somente participar de “cursos” ou eventos sobre compliance que percebemos a banalização do tema, o qual tornou-se um produto de prateleira de alguns escritórios especializados.

Nunca vi tantos organismos, entidades, institutos “especializados” nascendo de uma hora para outra oferecendo produtos relacionado com o tema compliance. Logico que tem muita gente boa trabalhando o tema com o cuidado que ele merece, mas também tem muito oportunistas.

Muito bem, após algumas pesquisas e avaliações, observei alguns pontos em comum, que prejudicam o desempenho do processo de compliance nas organizações, os quais descrevo abaixo:

  1. Montagem de estruturas organizacionais de compliance complexas, tornando o processo caro, lento e desagregado das atividades da execução operacional,
  2. Concentração no “formalismo” e não na essência do tema, exemplo: concentração de esforços na construção de políticas e procedimentos, deixando a conscientização fora do escopo,
  3. A crença de que quem faz compliance é o departamento de compliance, que os “donos” do risco é compliance e não os gestores operacionais,
  4. Visão obtusa de que compliance somente se refere a Lei Anticorrupção,
  5. Execução de trabalhos, pelo time compliance, redundantes com trabalhos de auditoria, gestão de riscos e/ou controles internos
  6. Falta de posicionamento como segunda linha de defesa, se consideramos a boa prática das três linhas de defesa (3LOD).
  7. Compliance passa a ser “controle”, sendo um grande executor de revisão por meio de check-list,

Não quero ser repetitivo, pois já fiz esta observação em outros artigos relacionados com o tema, mas compliance é atitude. É atitude que todos dentro de uma organização deve ter na conduta e comportamento diário no cumprimento de suas atividades.

Pois bem, se compliance é “realizado” por pessoas, então o grande esforço para se ter um programa efetivo é na criação da” consciência de compliance” e não somente na formalização de políticas ou procedimentos de revisões. Deve-se trabalhar o ambiente interno e a cultura da organização, de forma estruturada e planejada.


Sempre é um grande desafio quando temos que trabalhar a cultura da organização; é um processo complexo e demorado, que tem algumas fases que devem ser observadas e respeitadas. Primeiro deve haver a identificação e fundamentação dos atributos da mudanças, depois a organização deve observar que as mudanças são positivas, para que os indivíduos possam vivenciar estas mudança, compreendendo que são positivas e benéficas para que possa passar para a próxima fase que é a aceitação da mudança, tornando-a parte da cultura da organização.


Este deve ser o grande objetivo da área e do programa de compliance, criar, consolidar e manter a cultura e consciência de compliance, e não ficar “controlando” se as operações estão sendo executadas ou não em conformidade legal. Isto é responsabilidade de cada gestor operacional através de seu sistema de controles internos e monitoramento de desempenho.


Claro que compliance, por ser formato por especialistas, deve montar toda a estrutura de normativos, definir e instrumentalizar os gestores e os demais colaboradores, no uso destas ferramentas, e logicamente apoiar a gestão sempre que for necessária qualquer alteração, aperfeiçoamento, ou atualização devido a alterações legais, mas sua maior importância está em sensibilizar e consolidar a cultura e consciência de compliance na organização.


Vale lembrar que compliance é e deve ser tratado como qualquer outro risco, fazendo parte do processo corporativo de gerenciamento de riscos.


Deve ser identificado em cada processo operacional, avaliado quanto a sua magnitude e depois ser mitigado; observando que neste caso não existe apetite a risco, o qual é zero, pois ninguém em sã consciência pode ter apetite para fazer algo “propositadamente” fora da lei ou dos preceitos morais e éticos.

Sei que não é um tema simples, mas que deve se endereçado de forma objetiva pelos especialistas, profissionais e organizações.

A questão que deve ser feita e respondida é:  “Qual a real efetividade de meu programa de compliance??””


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